sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Voltage

















Argumento: Phillipe Graton e Denis Lapière
Desenhos: Marc Bourgne e Benjamin Benéteau
Editora: Graton Editeur/Dupuis
Páginas: 54
Língua: Francês
Colecção: Michel Vaillant Nouvelle Saison nº2
ISBN: 9782800157795


Sinopse:
Interdit de course jusqu'à la fin de la saison après les événements de la course de Portimão, Michel Vaillant traverse une période de doute. Troublé par la détermination de son fils, engagé dans une entreprise qu'il juge incompatible avec les valeurs de la famille, Michel Vaillant décide de relever un nouveau défi : battre le record de vitesse avec une voiture électrique sur le Lac salé de Bonneville, aux États-Unis. La pression qui pèse sur ses épaules est forte. La crédibilité et le prestige des usines Vaillant se trouvent mis en jeu dans cette performance. Il n'a en effet pas droit à l'échec, tant vis-à-vis des sponsors que de son père, le patriarche de la famille, qui n'a jamais caché son mépris pour l'électrique. S'ajoutent à cette tension les inquiétudes de Françoise, préoccupée par les risques que va prendre Michel en pilotant ce prototype.


Opinião:
A minha primeira opinião neste blog, foi ao primeiro álbum da nova série de livros de Michel Vaillant. Na altura dei nota 6 pois existiram um conjunto de factores que me mantiveram demasiado agarrado à série anterior e que esperava uma melhoria nos álbuns seguintes.
Após ter terminado Voltage o segundo álbum verifico que essas melhorias não se verificaram. E há uma que me  incomoda bastante. O desenho das personagens deixa muito a desejar, se por um lado considero que a Françoise, esposa de Michel está mais realista e pode-se dizer que envelheceu de uma forma agradável, as restantes metem dó, especialmente o herói da série. Michel está irreconhecível, com excepção do seu teimoso caracol. Mais do que irreconhecível, das duas uma ou senhor Marc Bourgne não sabe desenhar perfis ou então cada vez que Michel se coloca nesta posição, o senhor Bourgne resolve transformá-lo no Stallone.

Isto para não falar das imagens em que as personagens aparecem de corpo inteiro nas quais existe uma frequente desproporcionalidade de partes do corpo. Curiosamente os chamados figurantes até nem estão mal de todo, o que demonstra que possivelmente o senhor Bourgne não é incompetente de todo, apenas terá optado por se distanciar das imagens da anterior serie mas se o fez, fê-lo da pior maneira.

Com isto entramos noutro aspecto a retirar deste álbum, e desta vez pelo lado positivo, o retorno de alguns dos mais famosos personagens da serie anterior. Steve Warson está de volta e lá vou eu outra vez; como personagem de importância acima da média, está... diferente, e sim para pior, e como decidiu enveredar pela política o senhor Bourgne resolveu aproximá-lo à imagem de um tal de Schwarzenegger, pelo menos em alguns desenhos com óculos de sol parece bastante. De notar também o aparecimento de Donald Payntor o malfeitor que se redimiu algures na série anterior. E claro o tão anunciado retorno da Leader, pertencente agora aos Chineses e com meninas com ligaduras nos joelhos a escoltar o carro.


Quanto à história em si, o Michel Vaillant mais mundano, mais afectado pelos problemas do cidadão comum. Pois, sinceramente se eu quisesse ler sobre pessoas com problemas conjugais, pretensos amantes e dramas com filhos rebeldes que fogem de casa ou sofrem acidentes que os poderão afectar para o resto da vida eu comprava a revista "Maria". Eu compro o Michel Vaillant para ver corridas, automóveis e um conjunto de personagens fictícias que se imiscuía de forma perfeita no mundo real das provas de automobilísmo.

Este livro tem muito de "Maria" e pouco de Michel Vaillant, mas tal como na série anterior onde havia álbuns de menor qualidade e que abordavam temas pouco interessante, como por exemplo "KM357", em que a trama baseia-se numa família que não pretende que uma estrada seja construída nos seus terrenos. Pode ser este o caso de Voltage e que no futuro tenhamos histórias mais interessantes.

A minha antipatia por este álbum também tem um fundamento extra, que é nada mais nada menos que a utilização de uma viatura eléctrica para bater recordes de velocidade, não fossem os nossos heróis franceses e parecendo este álbum quase uma propaganda do Governo Francês.
Que o futuro nos reserve viaturas ecológicas que não sejam estas pseudo-ecológicas eléctricas que nos querem impingir actualmente.

E como diz a senhora do anúncio, "eu ainda sou do tempo..." em que os carros faziam WROOOOAWROOOAW, agora? Fazem whiiiiiiii...


Venha o próximo, especialmente com corridas com carros a sério e personagens melhor desenhadas.

Nota (escala 1 a 10): 5
TheKhan
 

sábado, 25 de janeiro de 2014

O Prisioneiro do Céu

















Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Editorial Planeta
Páginas: 393
ISBN: 9789896573003

Sinopse:
Barcelona, 1957. Daniel Sempere e o amigo Fermín, os heróis de A Sombra do Vento, regressam à aventura, para enfrentar o maior desafio das suas vidas. Quando tudo lhes começava a sorrir, uma inquietante personagem visita a livraria de Sempere e ameaça revelar um terrível segredo, enterrado há duas décadas na obscura memória da cidade. Ao conhecer a verdade, Daniel vai concluir que o seu destino o arrasta inexoravelmente a confrontar-se com a maior das sombras: a que está a crescer dentro de si.
Transbordante de intriga e de emoção, O Prisioneiro do Céu é um romance magistral, que o vai emocionar como da primeira vez, onde os fios de A Sombra do Vento e de O Jogo do Anjo convergem através do feitiço da literatura e nos conduzem ao enigma que se esconde no coração de o Cemitério dos Livros Esquecidos.

Opinião:
No seguimento das leituras de "A Sombra do Vento", que adorei e de "O Jogo do Anjo", que gostei bastante, confesso que me sentia ansioso para voltar a Barcelona e ao "mundo" do Cemitério dos Livros Esquecidos.

É sempre bom pegar num livro que nos mantém agarrado da primeira à última página. O ambiente já estava apresentado, era a continuação das obras anteriores. As personagens também, e que agradável é voltar a encontrar Daniel Sempere, David Martín e Fermín Romero de Torres.

A escrita de Zafón foi das surpresas mais agradáveis que tive nos últimos anos, a narrativa é excelente, as personagens ricas e marcantes, a construção das obras é muito equilibrada, não nos "adormecendo" por determinados períodos, o suspense e o clima de algum terror apimentam a narrativa bem como os momentos de humor.

Relativamente ao "O Prisioneiro do Céu" devo dizer que todas as peças se encontram lá, não desilude de maneira nenhuma, tem apenas um senão, o livro é curto comparavelmente aos anteriores e quando o terminamos sentimos que lemos apenas metade do argumento, aliás o epílogo abre a porta para o próximo livro.

E ainda bem que existe um próximo livro, estas personagens e este "mundo" merecem voltar às nossas mesas de cabeceira para mais algumas páginas, mais alguns desenlaces pois há histórias ainda por contar.

O senão como dizia atrás é a sua extensão, fiquei com a sensação que foi terminado um pouco à pressa, possivelmente por pressão do editor, desvantagens de ser famoso e vender muito certamente. Os desenlaces que pensava encontrar no final do livro não estão lá. Assustei-me um pouco quando as páginas começavam a fugir e pensei  que seria tudo resolvido a correr. Ainda bem que não, venha o próximo, mas isso não invalida que o final deste, seja um pouco pobre.

Entrando um pouco na história deste livro, e sem divulgar "spoilers", Fermín, a minha personagem favorita destes livros, tem aqui o papel principal. É o desvendar de uma parte importante do seu misterioso passado que acompanhamos nesta obra e isso, é razão excelente para nos prender ao livro. Acompanhamos também o destino de David Martín bem como de Isabella.

Uma última referência a uma cena que não é mais do que uma recriação de uma passagem de "O Conde de Monte Cristo", aquela que é a obra de excelência para mim. Com estes condimentos era difícil não ter gostado bastante do livro.
 
Nota (escala 1 a 10): 7,5
TheKhan

O Prisioneiro do Céu é o terceiro livro que li de Zafon, e devo dizer que adorei. Assim como também gostei de A sombra do Vento e O Jogo do Anjo. Foi maravilhoso reencontrar as personagens que adorei nos livros anteriores, especialmente o Fermín Romero de Torres.

Carlos Ruiz Záfon com a sua escrita impecável e envolvente, agarra-nos desde primeira página e leva-nos para o mundo sombrio do regime e de Barcelona de 1957.

Neste livro, destacam-se duas personagens, Daniel Sempere e Fermín Romero de Torres. Em Daniel notou-se uma evolução, um “crescer” através das descobertas que fez. E Fermín, o que dizer de Fermín? Adorei conhecer os mistérios e segredos desta personagem, todo o sofrimento pelo qual passou no passado, e o resultado disso na vida dele. Sobretudo, adoro o humor na maneira como responde e fala. É simplesmente divinal.

Em O Prisioneiro do Céu descobrimos alguns segredos que estavam por desvendar, e ficamos com a sensação que muito fica ainda por revelar. Algumas peças vão-se encaixando e outras surgem, e ficam pendentes para o próximo livro.

É um livro que se lê rápida e agradavelmente, e ficamos com a sensação que poderia ter mais e mais páginas, porque não queremos que a história acabe. E é tão bom quando encontramos um livro assim. Não cansa.

Em resumo, gostei bastante deste livro e aconselho a sua leitura. Fico ansiosa à espera do próximo.

Nota (escala 1 a 10): 7,5
IrishGirl
 

sábado, 18 de janeiro de 2014

Cartas da Terra


















Autor: Mark Twain
Editora: Bertrand
Páginas: 156
ISBN: 9789722518406


Opinião:
Desiludido, muito desiludido...

A expectativa era imensa. Depois de ler os "Excertos do diário de Adão e Eva", que adorei, esperava algo do género.

Este livro é um conjunto de textos que só foram compilados e publicados após a morte de Twain.
A sensação que se tem ao lê-los, é que não passam de ideias, de desabafos que se encontravam dentro de uma gaveta. Textos perdidos não fazem um livro, não passam de peças soltas sem verdadeiro encadeamento, sem princípio, meio e fim.
Para mim o "Cartas da Terra" divide-se em três partes. A primeira são cartas do arcanjo Lúcifer, ou Satanás enviadas aos arcanjos Miguel e Gabriel sobre o ser humano, as suas religiões e a Bíblia. Nesta primeira parte, passagens como a Criação, o Dilúvio ou a perseguição aos Midianitas, são analisadas por aquele que parece não ser mais do que o alter ego de Mark Twain.
Não sei ao certo quando estes textos foram escritos, mas demonstram um autor possivelmente nos seus últimos anos de vida, desiludido com os seres humanos e a religião. Quase aposto que terão sido escritos durante a fase de depressão após o falecimento de uma das suas filhas em 1896.
Na segunda parte, encontramos documentos da família Adão, com textos dos cientistas Adão e Eva, do jovem Matusalém e de mais uns quantos personagens perfeitamente desinteressantes que quase me fizeram devolver o livro à estante.
Mas felizmente que me aguentei até ao fim, porque o texto final era o que eu procurava neste livro quando o comprei. É o brilhantismo de Twain em todo o seu esplendor. A "Carta à Terra" é a resposta do Gabinete do Anjo Registador do Departamento de Petições, às preces do carvoeiro Abner Scofield. É a resposta a um homem rico, sem escrúpulos, às suas preces feitas na igreja e as suas preces feitas no seu dia-a-dia. O conflito entre aquilo que as pessoas dizem na igreja e o que dizem fora dela. Todas as preces são analisadas existindo entre elas conflitos hilariantes.
O texto final vale pelo livro todo, são 8 páginas brilhantes em 156, mas avaliação final é para o livro completo.
Nota (escala 1 a 10): 5
TheKhan

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Inimigo





Autor: Bernard Cornwell
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 370
ISBN: 9789896375386
Série: Crónicas de Nathaniel Starbuck nº 3 de 4

 
Sinopse:
Americano contra americano. Irmão contra irmão. Numa guerra civil tão cruel como a americana há heróis, vilões e... um inimigo.
Com a mestria e excelência a que Bernard Cornwell habituou os seus leitores, eis que mergulhamos na devastação da Guerra Civil Americana e testemunhamos as vitórias e derrotas dos exércitos do Sul e Norte. No meio da carnificina, dois amigos de infância, Nathaniel Starbuck e Adam, decidem ir contra familiares e amigos para lutar pelas próprias convicções, imersos no sangue e horror da guerra. E mesmo após provar a sua bravura através de grandes feitos militares, a carreira de Nathaniel é posta em perigo pelas suspeitas e hostilidade do brigadeiro-general Washington Faulconer. O resultado desta luta sem quartel irá alterar drasticamente os destinos de ambos os homens e lançá-los naquela que foi uma das mais sangrentas e decisivas batalhas do conflito americano… Conseguirá Nathaniel sobreviver incólume, mesmo rodeado de inimigos?

Opinião:
Seguindo o hábito, comecei esta série de livros de Cornwell não pelo início mas sim por uma obra intermédia. Neste caso este é o terceiro de quatro livros até ao momento escritos sobre Starbuck e a Guerra Civil Americana.

Tal como os livros do Sharpe imaginei que esta serie seria de possível leitura aleatória, não dependente da cronologia. Talvez por serem apenas quatro livros, estes não são tão independentes e apesar de ser possível lê-los sem seguir a ordem, é preferível fazê-lo, pois cada livro não engloba o resumo da vida e acções das suas personagens até ao momento em questão. Assim não somos introduzidos às personagens e andamos um pouco, no início do livro, a apanhar bonés.

Antes de mais convém referir que só comecei a ler esta série porque já tenho e li todos os livros do Sharpe editados em Português. Continuo a aguardar pacientemente que publiquem os restantes.

De referir também que a Guerra Civil Americana, da qual tinha muito pouco conhecimento, mas que este livro me permitiu explorar e aumentar a minha cultura, não me criava tanto interesse como por exemplo as Guerras Napoleónicas, Segunda Guerra Mundial ou a expansão do Império Romano.

Assim foi algo complicado entrar e avançar no livro ao longo das primeiras páginas. Primeiro por falta de introdução às personagens como referi anteriormente, segundo por pouco conhecimento do ambiente em que se desenrola o livro e terceiro porque ao contrário dos livros do Sharpe que apenas se centram neste personagem, este livro não só segue Nathaniel como também segue o seu pai o reverendo Elial Starbuck e seu ex melhor amigo Adam Faulconer.

Nathaniel Starbuck é um jovem originário de Boston, cidade da União mas que contrariamente ao esperado combate pelos rebeldes do Sul. Assim traz um visão inesperada pois implica que o herói da série combata pelo lado que sairá derrotado no final da guerra.

Sendo um adepto da série do Sharpe é-me impossivel não estabelecer uma linha de comparação entre estes dois heróis. Gosto muito da personagem de Sharpe, mais do que este Starbuck, a personalidade é bastante diferente, mas apesar de tudo tenho de admitir que Nathaniel transparece muito mais realidade que Sharpe. É menos personagem de filmes de cinema. Há ainda assim semelhanças, a figura heróica, a enorme capacidade de liderança, o lado humano e claro a aparente tendência para ser mulherengo. Digo aparente, porque ao contrário dos livros de Sharpe, Starbuck neste "Inimigo" não conquista nem se envolve com qualquer mulher, mas esta característica é várias vezes mencionada. Nathaniel tem também o seu Harper na figura de Truslow.

Cornwell está no seu terreno, é nos momentos de guerra, na descrição das batalhas, dos combates que é brilhante. As batalhas são minuciosamente detalhadas, as armas, as estratégias, as figuras históricas bem retratadas. Há momentos extraordinários de tão bem descritos como por exemplo o ataque à estação de comboios, que me marcou particularmente , cruéis como o ataque à estalagem e surpreendentes como a conversão do Coronel Swynyard ou o confronto no final do livro entre Nathaniel e Medlicott.

Há personagens detestáveis como o malvado e perverso Capitão Blythe ou o fanático religioso reverendo. Mas há outras interessantes, uma delas em particular agradou-me mesmo antes de saber de uma curiosa relação, o Coronel de cavalaria Patrick Lassan não é mais do que o filho de Richard Sharpe.

Obviamente gostei, os romances históricos, quando bem escritos agradam-me sempre. Agora é voltar um pouco atrás e ler os dois livros anteriores para depois terminar com o seguinte.

Nota (escala 1 a 10): 7
TheKhan

sábado, 30 de novembro de 2013

A Pista de Gelo

 

Autor: Roberto Bolaño
Editora: Quetzal
Páginas: 198
ISBN: 978925649985
 
Sinopse:
Tudo se passa durante um mês de verão numa praia do Mediterrâneo. Há uma mansão arruinada, uma bonita patinadora em decadência, e a paixão de um autarca de província. É há um crime, nas diferentes versões de três narradores que se vão completando e corrigindo. Remo Móran, Gaspar Heredia e Enric Rosquelles estão ligados a esse acontecimento central e, sem o saberem, podiam tê-lo impedido.

Pista de Gelo - que se constrói sobre as linhas características do projeto narrativo de Roberto Bolaño - é um espaço de reflexão sobre a corruptibilidade dos políticos, sobre a ação perturbadora do amor nas pessoas, sobre o desenraizamento, a amizade e a dissolução dos sonhos. E mostra-nos, sobretudo, que nada é o que aparenta ser, nada é bem o que nos contam; e que mesmo na ausência de sentido, a vida prossegue.
 
Opinião:
Há livros que lhes pegamos um pouco a medo. São aqueles que nos chamam à atenção, o autor é consagrado mas será que nos irão agradar? Se sim o prazer que tiramos deles é sempre assinalável.
 
A Pista de Gelo um dos livros que entra, para mim, nessa categoria. E sim que agradável foi lê-lo.
 
O livro é relativamente pequeno, com menos de 200 páginas, e quando o desfolhamos a primeira coisa que salta à vista são os capítulos bastante curtos e a ausência de parágrafos. Parece denso mas não o é, pelo menos sempre que começava um capitulo terminei-o sempre, nunca se tornando massudo.

A escrita é extremamente fluída, a narração é feita na primeira pessoa, em jeito de relato, o que limita largamente as descrições, assim o livro é objectivo, não há perda de tempo em divagações. Os relatos individuais são complementares mas pouco aprofundados o que dá largas à imaginação do leitor.

A sinopse que apresenta o livro é incrivelmente precisa, quando o terminei constatei que não seria possível ser resumido de melhor forma.

Mas o que é que torna este livro melhor do que a maioria? Sem dúvida que o relacionamento do leitor com as personagens. Quando o estamos a ler, somos automatica-mente transportados para o local onde se passa a acção, Z, e os capítulos ou relatos são como que uma conversa de café com os narradores. Depois há sentimento, há ligação com as personagens, há o sentir o que eles sentem, o ver o que eles vêem, amar, sonhar e recear.

A caracterização das personagens não é aprofundada, ao lermos o livro sentimos que as conhecemos, mas no fundo eles não são mais do que um conjunto de pessoas que conhecemos numas férias de Verão. Um mês, um passado praticamente desconhecido e um futuro distante.

Das personagens há a destacar a força de Remo, a paixão de Gaspar e Caridad, os sonhos de Carmen e Enric o tão Ibérico político corrupto, fraco e desprezível. O seu destino deveria ser o mesmo destino de muitos dos políticos "coladores de cartazes" deste país.

Gostei, agora é comprar o "2666" e lê-lo.

Nota (escala 1 a 10): 8
TheKhan



terça-feira, 26 de novembro de 2013

Royal Flash

















Autor: George MacDonald Fraser
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 258
ISBN: 9789896372774
Série: The Flashman Papers nº 2 de 12

Sinopse:
A sua cobardia só é comparável à sua cara de pau. Harry Flashman tem tudo para ser o maior herói do Império Britânico. E esta é a sua odisseia! Dos salões vitorianos de Londres às fronteiras exóticas do Império, prepare-se para conhecer o maior herói do seu tempo (raios, de todos os tempos!)Após o seu regresso do Afeganistão como herói de guerra, Flashman vê-se envolvido com a bela e perigosa Lola Montez e o malévolo Otto Von Bismarck numa batalha de engenhos que irá decidir o destino de um continente. Dando início a uma aventura épica, o nosso galã embrulha-se numa sucessão desesperada de fugas, disfarces, encontros amorosos e combates singulares que atravessam os salões de jogo e masmorras de Londres para culminar nas salas de trono da Europa. Será que os talentos de Flashman irão salvar o nosso sortudo cobarde das garras de Otto Von Bismarck e da bela Lola Montez?
 
Opinião:
Já o disse numa opinião anterior, sou um adepto de anti-heróis. Flashman é um anti-herói, mas será que por isso sou um adepto deste personagem? Não, nem por isso.

Antes de mais há que situar o autor da obra na cultura popular, George MacDonald Fraser pode à primeira vista ser um nome que nada diz, mas para além da escrita da série Flashman foi também argumentista de vários filmes de Hollywood como por exemplo o "007 Octopussy", "Os Três Mosqueteiros" e "Os Quatro Mosqueteiros".

Quanto ao livro em analise, Royal Flash é o segundo de doze livros escritos por MacDonald Fraser, sobre o maior herói do Império Britânico, ou melhor, o maior canalha, mentiroso, trapaceiro, cobarde e ahh sim bajulador.

Apesar de ser só o segundo livro, parece-me ser o último editado em Português, sendo de 2010 calculo que seja mais uma das muitas colecções que preenchem a minha pequena biblioteca e que ficam por terminar por falta de edição de algumas obras. Mas isto é um desabafo que fica guardado para um dia mais tarde.

O livro em si é uma abordagem diferente ao estilo aventura. Diferente porque o protagonista é alguém que normalmente esperamos que seja corajoso e audaz. Flashman não o é, pelo contrário tenta por tudo fugir à acção e se possível, ainda rouba uma ou duas peças de valor para poder ter dinheiro para gastar nos chamados maus vícios.

A abordagem é interessante, mas peca pelo exagero. É irritante o herói perfeito, cheio de virtudes, que faz tudo bem e mesmo quando as coisas não correm de feição há um acto de enorme felicidade que resolve a contenda a seu favor. Mas também é irritante aquele que é exageradamente cobarde, sem qualquer sentimento nobre, mas que tal como o herói usual é bafejado por uma sorte que resolve tudo a seu favor. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

Os aspectos mais interessantes, e que me prenderam mais ao livro são, pondo um pouco de lado os exageros, os momentos de introspecção que o "herói" tem perante os vários momentos de perigo que vai vivendo ao longo da história. Os receios do que poderá correr mal, as soluções alternativas, todas aquelas dúvidas que os heróis habitualmente não partilham com os leitores. O aspecto humano que seria interessante de obter de alguns personagens clássicos.

Flashman é uma personagem de ficção mas é-nos apresentado como sendo uma figura histórica, o autor conta a sua história de uma forma biográfica, com interessantes anotações que procuram inseri-lo no mundo real. Ao longo das obras ele cruza-se com variadíssimas figuras reais, neste caso em particular temos Otto von Bismarck e Lola Montez.

Resumindo, é um livro levezinho, de leitura fácil e descontraída, com alguns momentos divertidos. Lê-se rapidamente, mas não é nenhuma obra de referência. Se a editora publicasse o seguinte comprava para continuar a colecção.

Curiosidade: Sendo o autor um argumentista de Hollywood era mais do que natural que a sua personagem mais famosa fosse adoptada ao cinema, mais precisamente num filme baseado nesta mesma obra.



O actor Malcolm McDowell no filme "Royal Flash" de 1975.

Nota (escala 1 a 10): 6
TheKhan

domingo, 24 de novembro de 2013

A Cruz de Morrigan

















Autor: Nora Roberts
Editora: Saída de Emergência
Chancela: Chá das Cinco
Saga/Série: Trilogia do Círculo. Livro nº 1
Nº Páginas: 310
ISBN: 9789897100253

Sinopse:
Uma batalha entre as forças do bem e do mal está prestes a começar. De um lado Lilith, a vampira mais poderosa do mundo. Do outro, a deusa Morrigan, que tudo fará para a travar com o seu círculo... 
Irlanda, século XII. O feiticeiro Hoyt está destroçado pela perda do seu irmão gémeo, transformado num vampiro pela poderosa Lilith. A deusa Morrigan está determinada a enfrentar Lilith e avisa Hoyt de que chegará um dia em que se formará um círculo de seis, destinado a enfrentar Lilith e salvar a Humanidade. Hoyt usa os seus poderes para viajar à Nova Iorque dos dias de hoje onde descobre o seu irmão, um homem bem-sucedido mas frio e cínico, e pede-lhe auxílio na luta contra Lilith. Mas o círculo não está completo sem os poderes mágicos da artista Glenna Ward. Hoyt não confia na magia dela, mas ambos farão tudo para alcançar os seus objetivos. E ao enfrentarem legiões de inimigos, apercebem-se de que o amor que cresce entre ambos poderá aumentar as probabilidades de derrotarem Lilith... 

Opinião: 
Este livro conta a história de Hoyt e Cian, dois irmãos gémeos que foram forçosamente separados pela poderosa e maligna vampira Lilith. Hoyt é um feiticeiro e Cian um guerreiro. Este foi transformado num vampiro por Lilith. Hoyt procura vingança e tenta destruir Lilith, mas a Deusa Morrigan tem uma missão mais importante para ele. Salvar a Humanidade. Assim, Hoyt viaja no tempo para o nosso presente para encontrar o irmão e mais 4 pessoas, para juntos formarem o Círculo que irá combater a poderosa vampira.

O enredo desta história desenvolve-se, numa fase inicial, de modo um pouco lento, mas à medida que vamos avançando na leitura, e conforme vão aparecendo os personagens, a história ganha mais intensidade. As personagens são todas diferentes, cada uma com a sua particularidade. Através do "treino" a que têm de se submeter, Nora dá-nos a conhecer as caracteristicas e personalidade de cada uma. A minha preferida foi Cian, o vampiro, a típica personagem atormentada pelo passado e pela possibilidade de se redimir por tudo de errado que fez na sua vida ao longo dos séculos. Gostei também da relação entre Hoyt e Glenna. Não sendo uma relação muito complexa e cheia de problemas, é sim um amor fácil e simples, dando um toque romântico à história.

Através de uma escrita simples e bastante fluída, mas sempre brilhante, Nora apresenta-nos uma combinação de aventura, romance, magia e humor. Algumas cenas entre os personagens são super engraçadas, o que permite ao leitor uma leitura bastante descontraída.

Nora Roberts estreia-se assim no mundo do Fantástico. E devo dizer que não se saiu nada mal. Não sendo um livro muito complexo a nível de fantasia, tem todos os ingredientes para cativar o leitor. Tem vampiros, metamorfos, bruxas, feiticeiros, guerreiros, magia e, como em todos os livros da Nora, amor e romance. Fiquei, definitivamente curiosa como vai continuar esta batalha entre o bem e o mal.

Nota (escala de 1 a 10): 8

IrishGirl