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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Pretoriano

















Autor: Simon Scarrow
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 349
ISBN: 9789896374969
Série: Eagle Series nº 11

Sinopse:
A cidade de Roma em 50 d.C. é um lugar perigoso. A traição espreita a cada esquina e um obscuro movimento republicano, conhecido como os libertadores, cobre a cidade com os seus tentáculos. Temese que a próxima conspiração surja do coração da própria Guarda Pretoriana. Sem saber em quem pode confiar, o Secretário Imperial Narciso convoca a Roma dois dos seus homens mais corajosos e leais: os veteranos Macro e Cato.

Incumbidos da tarefa de infiltrarem a Guarda Pretoriana, Cato e Macro enfrentam um duro teste para ganharem a confiança dos seus camaradas. E quando finalmente estão prestes a descobrir os segredos da conspiração, surge um velho inimigo que os poderá denunciar, com consequências fatais. Será uma corrida contra o tempo para salvarem as próprias vidas antes que consigam revelar os nomes dos traidores que pretendem derrubar o Império?

Opinião:
Em Pretoriano Simon Scarrow parece-me que tenta contornar um problema que criou nos livros anteriores desta série. Scarrow evoluiu a carreira dos dois protagonistas demasiado rápido, especialmente Cato.

Scarrow cria uma história de espionagem cheia de conspirações políticas que colocam Macro e Cato longe do seu ambiente de conforto, as legiões. Os heróis são alistados na Guarda Pretoriana como meros soldados, o que lhes cria algumas dificuldades de habituação bem como situações caricatas. Os protagonistas estão de volta a casa e assim o livro decorre em Roma o que se torna interessante para conhecermos como funciona a grande capital do império nesta era.

Um dos pontos fortes desta série é a mistura das personagens fictícias com as reais. Neste livro encontramos Nero, Agripina e Britânico. Quem conhece a história do Império Romano sabe da relevância destas figuras e do que se passará de seguida. Destas destaco Nero, que está caracterizado de uma forma muito interessante, nomeadamente nas suas interações com Cato.
 
Praetoriano é um livro à imagem dos restantes, interessante, cheio de acção e que beneficia de duas personagens extremamente bem construídas que ligam o leitor à série. Não acredito que haja um leitor assíduo desta colecção que não sinta empatia por Cato e Macro e que não se preocupe com o desenvolvimento das suas histórias.
 
Relativamente ao argumento, tal como mencionei anteriormente, é um livro um pouco diferente dos restantes, o peso militar é inferior, não há batalhas entre exércitos, apenas confrontos com milícias, o factor político é muito mais relevante e Cato e Macro são menos soldados e mais espiões. Talvez por isso notei que o ritmo de leitura fosse um pouco mais lento que o habitual, as operações de bastidores levaram-me a não ler tão avidamente.
 
Independentemente do estilo ser ligeiramente diferente, a qualidade mantem-se e são livros que são uma certeza de entretenimento. Hajam mais Cato e Macro. O próximo livro "Corvos Sangrentos" promete com os protagonista de volta à Britânia.
 
Nota (escala 1 a 10): 7,5
TheKhan
 
 

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Campos da Morte
















 
Autor: Simon Scarrow
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 613
ISBN: 9789896374006
Série: Revolution nº 4 de 4
 
Sinopse:
Estamos no ano de 1810. O Visconde Wellington e o Imperador Napoleão conquistaram fama e reputação como comandantes militares brilhantes. Wellington goza ainda de maior fama durante os seus anos em Espanha, mas sabe que o seu derradeiro teste ainda está para vir: enfrentar o poderoso exército de Napoleão. Quando invade a França no ano de 1814, Wellington obtém uma vitória rápida. Enquanto se deixa seduzir por uma estadia em Viena, chegam notícias do regresso triunfante de Napoleão. Este, ambicioso como sempre, inicia uma campanha russa que termina em desastre e é depois derrotado em Leipzig na maior batalha alguma vez travada na Europa. Com o declínio do poder de Napoleão, Wellington quer esmagar o tirano de uma vez por todas – e assim os dois gigantes enfrentam-se uma última vez, em Waterloo...
 
Opinião:
Mais de um mês estive a ler este livro e é com uma sensação de alívio que o acabo. Esta sensação nasce da ambiguidade que este blog acaba por carregar nas minhas leituras. A pressão que cria na leitura, acaba por obrigar a alguma celeridade, o que me faz por vezes não apreciar tanto um livro que necessita de algum tempo para ser percorrido.

Terminando esta obra e assim esta série sobre Napoleão e Wellington, esta crítica serve tanto para este livro como para os três anteriores. Poderei estar a repetir-me mas a verdade é que existe homogenidade nas obras e os positivos e negativos de um livro estão em todos eles.

Mais uma vez são romances históricos biográficos que vai saltando entre uma personagem e outra, sendo que este livro peca um pouco mais que os anteriores, pois denota um excesso de foco nas batalhas. Aliás este livro acaba por ser cansativo por isso mesmo, é um sem acabar de batalhas encadeadas umas nas outras sem dar folgo ao leitor. Assim na quase totalidade das 600 páginas que compõem esta obra acompanhamos as constantes descrições de cenários de guerra, tácticas militares e constantes avanços e recuos das variadíssimas unidades militares.

Cada batalha que termina num capítulo, é logo seguida por outra que começa no capítulo seguinte. E é um sem número delas, desde as batalhas em Portugal e Espanha, acompanhando a Campanha Peninsular de Wellington, até à entrada deste em território Francês, paralelamente à batalha de Wagram e à posterior Campanha Russa de Bonaparte, passando por Leipzig e todo o recuo de volta a Paris, dando apenas ao leitor quase no final um conjunto de meia centena de páginas sem batalhas, coincidente com o período de Napoleão no reino de Elba, mas que não é mais do que um ganhar folgo para a grande batalha final de Waterloo.

Desta vez não me vou alongar relativamente às personagens. Quem quiser saber qual a minha opinião sobre a forma como são descritas, naquilo que me parece ser uma opinião algo tendenciosa de um autor que gosto particularmente, mas que tem reflexo na obra, leia por favor as criticas aos livros anteriores já feitas neste blog.

De positivo e marcante apraz-me destacar dois momentos da obra. O primeiro é quando nos é descrito o confronto entre Friedrich Staps e Napoleão. Staps foi um jovem de 17 anos que tentou assassinar o Imperador no Schönbrunn. O segundo passa um pouco despercebido na página 374, mas resume-se no seguinte, um major da Nonagésima Quinta sobe a encosta com um pasta de cabedal, esse major carrega consigo uma espingarda, algo pouco usual para um oficial e dá pelo nome de Richard, quem é? Não mais do que o Sharpe da famosa série de Bernard Conwell.

Resumindo, bom livro para aprender um pouco de história, para se ler aos poucos sem pressão. Vale pela história e não pela estória. O autor conquistou-me mais com a série da Águia do que com esta.

Nota (escala 1 a 10): 6,5 (0,5 a mais pelo aparecimento do Sharpe)
TheKhan

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

A Ferro e Fogo

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Autor: Simon Scarrow
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 548
ISBN: 9789896372439
Série: Revolution nº 3 de 4
 
Sinopse:
Nos primeiros anos do século XIX, Arthur Wellesley (mais tarde conhecido como o Duque de Wellington) e Napoleão Bonaparte são homens de génio militar reconhecido. Wellesley acaba de regressar da Índia, onde a sua coragem e talento impressionaram grandemente os seus superiores. Irá enfrentar obstáculos e muitas tribulações a nível político antes de se envolver militarmente em Copenhaga, depois Portugal e Espanha. Napoleão, proclamado como Imperador, está afirmar o seu controlo sobre a Europa com o objectivo final de despedaçar o seu inimigo do outro lado do Canal: a Grã-Bretanha. Está iminente o confronto face a face entre ambos os militares mas apenas um homem emergirá vitorioso.
 
Opinião:
Esta série é complicada. São livros que apresentam um tema que me agrada, mas por serem romances quase biográficos das duas personagens históricas, demoro um tempo exagerado a lê-los. Se no livro anterior demorei três semanas neste demorei quatro.
 
Com isto não quero dizer que o livro seja mau. De maneira nenhuma, mas cada uma destas obras, com cerca de 500 páginas, abrangem períodos largos e bastantes eventos que necessitam de uma descrição constante do ambiente físico e social, de forma a colocarem o leitor "dentro" do assunto. A descrição constante, acaba por quebrar significativamente o ritmo de leitura, sempre que se verifica um salto da história de um personagem para o outro, o que normalmente acontece 3 em 3 capítulos, num livro que tem aproximadamente 50. Assim a leitura torna-se mais lenta.
 
Quanto a este livro em si, o terceiro capítulo destas biografias romanceadas, é um momento de viragem. É o começo do declino de um e o início da ascensão do outro. O autor aprofunda ainda mais as diferenças que criou do primeiro para o segundo livro. Napoleão está ainda mais vilão e Wellesley cada vez mais heróico.
 
Como disse George Orwell, a história é escrita pelos vencedores, e ainda mais sendo o autor Britânico, nota-se neste livro um contraste enorme que torna os capítulos finais sobre Napoleão um verdadeiro desconcerto. O próprio autor na nota final indica que, por os aspectos positivos da governação de Bonaparte só se verificarem mais tarde, apenas se focou nos negativos.
 
O que realmente incomoda, é que os capítulos de Napoleão tornam-se num festival de erros e disparates, ao ponto do leitor pensar como é possível ele se ter mantido no poder tantos anos, se não fazia nada certo. É verdade que o poder pode muito bem corromper o juízo, mas tem de haver algum equilíbrio, o homem era um estratega militar absolutamente brilhante, mas o autor apenas foca o que de mais negativo fez.
 
Por outro lado, Wellesley é um gentleman, quase perfeito apenas só falhando na vida amorosa. O desenvolvimento da sua história torna-se muito mais interessante, o que faz com que por vezes desejemos saltar os capítulos de Bonaparte para continuar a história do Irlandês.
 
Em suma é um livro que cobre um período da história que acho fascinante, até porque é neste volume que começa a ser contada a história das Guerras Peninsulares. É uma leitura que nos vai mantendo interessados mas que nunca fascina, bom para ir lendo com calma.
 
Agora falta apenas a última parte, que espero que por ser a conclusão tenha outro ritmo. Se o primeiro livro me agradou mais, espero que o último também o faça, e que o segundo e o terceiro livro sejam mais fracos por serem capítulos intermédios de uma história no qual não têm nem princípio nem fim.
 
Nota (escala 1 a 10): 6
TheKhan

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Legião

















Autor: Simon Scarrow
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 365
ISBN: 9789896374402
Série: Eagle Series nº 10


Sinopse:
Nunca um romance sobre Roma teve tanta violência e intriga.                                  

Cato e Macro, dois soldados das legiões romanas, têm servido a causa dos Imperadores por todo o Império, desde a Bretanha até à Ilha de Creta, e enfrentam agora o caos que ameaça o Egipto. O gladiador rebelde Ajax procura vingança pela morte do seu pai às mãos de Cato e Macro. Os seus homens têm-se disfarçado de soldados romanos e atacado bases navais, navios mercantes e cidades. Cato e Macro são encarregues da tarefa de perseguir o guerreiro renegado antes que percam o controlo da situação no território. Decidem juntar forças à Terceira Legião na esperança de destruir o seu inimigo no campo de batalha, mas o astuto gladiador colocou outros planos em movimento…

Uma história de vingança, traição e morte, Legião leva-nos numa grande jornada pelo rio Nilo acima no momento em que o Império Romano enfrenta um novo perigo. Conseguirão Cato e Macro resistir à brutalidade dos seus inimigos?
 
Opinião:
Legião começa praticamente onde Gladiador termina. Cato e Macro encontram-se do outro lado do Mediterrâneo, dentro de dois navios romanos à caça do barco com o qual Ajax e os restantes rebeldes semeiam o terror na costa Egípcia.
 
Os papeis dos personagens principais desta série invertem-se. Cato que no início não é mais do que um aprendiz fisicamente pouca apto para as legiões, demonstra ao longo da série que isso não passa de aparência e vai subindo a passos largos na carreira militar. Aqui, encontramos Cato como Prefeito Interino, passando a ser superior de Macro que se mantém Centurião. É curiosa a inversão de papeis pois Macro é muito mais experiente e melhor soldado mas Cato é muito mais cerebral e relevante politicamente. Macro chegou ao topo da sua carreira enquanto Cato ainda estará no começo.
 
Veremos como a série irá avançar, mas imagino Cato a evoluir para o Senado e possivelmente a ter com Macro um papel muito importante na ascensão de Vespasiano a Imperador no ano 69, por morte de Vitélio o anterior Imperador, responsável num dos livros anteriores pela morte de Lavinia o seu primeiro amor.
 
Voltando a Legião, este é para mim um dos melhores livros da série e voltou-me a dar um prazer especial de ler ao nível do que obtive dos livros da Campanha Britânica. Legião está bem apimentado com um pouco de tudo. Os heróis continuam a cultivar a empatia que criam com os leitores e neste livro não estão sós. Ajax, na sua terceira participação na série é o vilão perfeito, um inimigo extremamente bem criado e um personagem que gera uma panóplia de sentimentos no leitor. Mais uma vez questionamo-nos se os papeis não estarão trocados e não será ele o herói, mas Ajax é brutal, um verdadeiro sanguinário movido pela vingança o que o torna aos olhos do leitor um verdadeiro vilão que no fim só queremos ver derrotado.
 
Ajax cria momentos extremamente interessantes, desde as suas constantes fugas, à loucura, gerada pela vingança, na forma como conduz o seu exército de seguidores e aquele que é um dos meus momentos favoritos do livro, quando Ajax tenta, que o Príncipe Núbio aceite a sua ajuda na guerra contra os Romanos.
 
Para além de Ajax temos outro personagem de uma grande relevância, que aos poucos se vai manifestando, um espião. Este personagem, a sua identidade e aquilo que provoca ao longo do livro, irá certamente criar, no futuro, momentos de angústia nos heróis bem como pesar na consciência de Cato.
 
Neste livro o leitor pode contar com o que espera, muita acção, descrições gráficas das batalhas e dos resultados dos combates, os quais me pareceram ainda mais detalhados que em livros anteriores. Mas o que notei também foi um retrocesso ao nível do humor, menos presente nesta obra do que em anteriores.
 
Em resumo, um livro ao nível do esperado para esta série, mas com um incremento na qualidade que o coloca ao nível dos melhores.
 
Nota (escala 1 a 10): 8
TheKhan

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Os Generais




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Autor: Simon Scarrow
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 539
ISBN: 9789896371616
Série: Revolution nº 2
 
Sinopse:
Napoleão Bonaparte e Duque de Wellington. Dois gigantes da História e um mundo pequeno demais para os abarcar. Corre o ano de 1796 e tanto Arthur Wellesley (mais tarde conhecido por Duque de Wellington), como Bonaparte estão a deixar a sua marca como homens de reconhecido génio militar. Comandante do 33º Regimento de Infantaria, Wellesley é enviado para a Índia, onde as suas habilidades e coragem impressionam grandemente os seus superiores.No papel de comandante do Exército de Itália, Napoleão Bonaparte trava batalhas com sucesso e alcança uma rápida evolução política. Em 1804 proclama-se Imperador de França e ambiciona conquistar toda a Europa. Chegou o tempo para o futuro Duque de Wellington enfrentar Napoleão num combate épico que abalará o mundo e ficará registado para sempre na História.
 
Opinião:
"Os Generais" é o segundo livro de quatro, da série de Simon Scarrow que segue paralelamente a vida de Napoleão Bonaparte e Arthur Wellesley. Sendo um adepto da Série da Águia do mesmo autor decidi, graças a alguns preços fantásticos da Saída de Emergência na Feira do Livro 2012, a pegar nesta série agora que já esgotei todos os livros do Sharpe de Cornwell editados em Portugal.
 
Quando li o primeiro livro da série, "Os Jovens Lobos" gostei bastante, a escrita de Scarrow sempre me agradou e nesta série é curiosa a forma como o autor pega em duas personagens reais, de uma enorme importância histórica, e as torna nas duas personagens principais de uma série de literatura.
 
Ao longo dos quatro livros seguimos a vida dos futuros Imperador Napoleão e Duque de Wellington, numa mistura de acontecimentos, na sua grande maioria reais, mas também com algumas adaptações de ficção que ajudam a tornar as histórias mais fluídas.
 
Relativamente a "Os Generais", foi de todos os livros de Scarrow o que mais tempo demorei a ler, mais precisamente três semanas. E porquê? Porque foi o que menos me agarrou, em virtude de ser um livro que mais parece ser um documento histórico do que um romance. Falta princípio, meio e fim, são mais de 500 páginas de meio, que mais não são do que vários acontecimentos históricos encadeados, sem que haja um enredo que nos apegue ao livro e nos faça sentir aquele desejo extra de querer virar as páginas mais depressa do que o habitual e saber o que se vai passar a seguir.
 
Não obstante, o trabalho de pesquisa é como habitualmente extremamente elaborado, aliás outra coisa não se podia esperar de um antigo professor de história.
 
Curiosamente, relativamente às personagens, e no seguimento do primeiro livro em que achei Napoleão um personagem muito mais interessante que Wellesley, combativo, irrequieto com uma linha de pensamento estabelecida, contra um personagem preguiçoso, derrotista e depressivo, verifiquei ao longo de "Os Generais" uma inversão total nas personalidades. Napoleão passou a maníaco, incoerente e desequilibrado enquanto que Wellesley renasceu empreendedor, corajoso e humanista. Se calhar foi apenas o cruzar das personagens com aquilo que é o senso geral relativamente a elas, mas o que me desagradou foi o efeito Dr. Jekyll/Mr. Hyde verificado em ambas as personagens sem que na narrativa houvesse qualquer explicação lógica para este acontecimento.
 
Em jeito de conclusão, lê-se bem, é interessante mas quando temos expectativas altas relativamente a um autor é difícil não apontarmos os erros, quando nos deparamos com uma obra menos conseguida. Gostei do livro mas esperava mais.
 
Venha o próximo, no qual deverão ser descritas as Guerras Peninsulares.
 
Nota (escala 1 a 10): 6
TheKhan

terça-feira, 26 de março de 2013

Gladiador

















Autor: Simon Scarrow

Editora: Saída de Emergência
Páginas: 364
ISBN: 9789896373511
Série: Eagle Series nº 9

Sinopse:
Após uma campanha brutal contra a Pártia, os centuriões Macro e Cato navegam para Roma. Ao aproximarem-se da costa de Creta, a viagem é interrompida pelo abalo de um terramoto e quase perdem as vidas no mar. Com o navio severamente danificado, são forçados a dar à costa. E o que encontram é uma província mergulhada no caos. Os escravos aproveitaram o desastre natural para se revoltarem. Contra uma legião forte, não teriam hipóteses, mas a guarnição é fraca e os rebeldes começam a ganhar em todas as linhas. Apanhados de surpresa, Macro e Cato são forçados a lidar com uma rebelião que pode alastrar a todo o Império. Mas para isso terão de derrotar o líder dos rebeldes: Ajax, um gladiador que não teme a morte e é movido por um imenso desejo de vingança. Será que o fim do Império Romano pode estar na ponta da espada de um gladiador?
 
Opinião:
Macro e Cato viajam de volta para Roma após a sua bem sucedida campanha no Médio Oriente. Iam mas para já ficam a meio caminho, graças a um terramoto seguido de uma onda gigante que obriga a refugiarem-se na ilha de Creta.
 
E se Creta era um óptimo local para umas boas férias, obviamente que os dois centuriões têm muito mais que fazer, do que apanhar banhos de sol. A ilha, devastada pelos desastres naturais e com os seus governantes mortos ou incapacitados, vê-se tomada por uma rebelião de escravos liderada por Ajax um ex-Gladiador. Quem mais do que Macro e Cato para controlarem a rebelião?
 
Aqui nasce o dilema herói/vilão que se levanta neste livro. A escravidão tinha um papel extremamente importante na sociedade e economia do Império Romano. A exploração de seres humanos, sem direitos legais, sujeitos a exploração laboral e sexual, a maus tratos, tortura que muitas vezes terminava em morte, é nos nossos dias inaceitável. E é exactamente o confronto entre estas pessoas e os habituais heróis, Cato e Macro, como representantes do Império que se verifica neste livro.
 
Admito que tive alguma dificuldade, mesmo gostando bastante das personagens principais desta série, em considerar estes como sendo os heróis do livro. É difícil não compreender a razão da rebelião e mesmo apoiá-la. Claro está que ao longo da obra, as atrocidades praticadas pelos escravos, tornam-os tão maus como os Romanos que os exploram, por isso a balança vai acabar no fim por pender para o lado de Macro e Cato. Mas acima de tudo é um processo de aceitação muito menos natural que em outros livros.
 
Tirando esta indefinição, que se calhar é apenas na minha cabeça, o livro traz-nos aquilo que esperamos desta série, parágrafos relativamente curtos. muitos diálogos, muita acção, batalhas ou escaramuças, sangue quanto baste e morte. A amizade e companheirismo de Macro e Cato sempre presente, com as suas personalidades bem vincadas e no seguimento do livro anterior, uma personagem feminina que acrescenta algum condimento à história.
 
Não querendo desvendar muito da narrativa, o que este livro nos traz de novidade, é um vilão mais estruturado, com passado e que não sendo um Olrik de Blake e Mortimer tem história para além desta obra.
 
Mais uma vez o livro é viciante da primeira à última página, bem desenvolvido mas peca na minha opinião por um desenlace demasiado abrupto.
 
Uma última palavra para a agradável surpresa que está incluída no fim deste livro, a inserção do conto "Jogos Mortais" que desvenda um episódio marcante da infância de Cato.
 
Nota (escala 1 a 10): 7,5
TheKhan
 
 

quinta-feira, 21 de março de 2013

Série da Águia de Simon Scarrow



Por ocasião do lançamento do 11º livro desta série, Pretoriano, pela Saída de Emergência e também para inserir a próxima opinião, lanço aqui o comentário a mais uma das séries que já sigo há bastantes anos.

Antes de mais, devo referir que esta foi uma das séries em que a editora Saída de Emergência me conseguiu conquistar graças à sua famosa promoção 2=3. Mas não foi uma primeira escolha. Na altura a oferta que pretendia era A Odisseia dos Dez Mil de Michael Curtis Ford, mas estando este esgotado, das opções existentes, acabei por descobrir um livro, com uma capa tão apelativa que nem se dava por ele, mas que nessa mesma capa se resumia em "Aventura, intriga e glória no seio das legiões Romanas". Não me pareceu mal, era oferta, não se perdia nada em arriscar. Já agora fica aqui a capa antiga:



A nova, bem mais cativante a meu ver:



e a Sinopse:
"Afastado de Roma devido a uma conspiração que envolve o próprio Imperador, o jovem Quintus Cato, amante das letras e da vida no palácio, chega à Germânia para se inscrever como recruta na Segunda Legião, a mais temida e afamada dos exércitos de Roma. E se a adaptação aos rigores da vida militar já se revela terrivelmente difícil, o jovem ainda tem de enfrentar o desprezo dos camaradas quando descobrem que, graças aos contactos que tem em Roma, Cato vai receber um posto superior ao deles: o de lugar-tenente de Macro, o mais experiente e destemido de todos os centuriões. Para recuperar o respeito dos camaradas, Cato vai ter de provar a sua coragem contra as sanguinárias tribos germânicas. E se sobreviver, o pior ainda está para vir: a Segunda Legião vai ser enviada para uma terra de barbaridade sem paralelo, a nebulosa e distante Britânia. E ele e Macro, escolhidos para uma missão secreta repleta de intrigas, que ameaçam não só as suas vidas, mas também o futuro do Império."

A verdade é que trouxe o livro para casa, li-o, gostei e fui comprando os seguintes. Tanto me agradou que Simon Scarrow é o autor de Romances Históricos actual que mais gosto de ler.

Curiosamente sinto por este autor uma relação diferente aos outros, porque Scarrow parece que cresce como escritor enquanto nós leitores acompanhamos e apercebemos-nos disso mesmo. Os dois primeiros livros da série, e também da sua bibliografia, "A Águia do Império" e "O Voo da Águia" são bons, interessantes, prendem-nos aos personagens principais, mas foi quando terminei de ler o terceiro livro "As Garras da Águia" que me apercebi de um salto muito significativo na estruturação da obra e qualidade da narrativa. Scarrow tinha dado um passo em frente e com isso adquirido um espaço privilegiado na minha estante, o dos livros que eu sei que me prenderão do início ao fim e sei com o que contar.

A série é, até ao momento, composta por 11 livros enumerados abaixo e que cronologicamente se passam entre o ano 42 e o ano 50.

1 - A Águia do Império
2 - O Voo da Águia
3 - As Garras da Águia
4 - A Águia e os Lobos
5 - A Águia de Sangue
6 - A Profecia da Águia
7 - A Águia no Deserto
8 - Centurião
9 - Gladiador
10 - Legião
11 - Pretoriano

Após o 7º livro o termo águia deixou de constar do nome dos livros, aparentemente porque o editor original quis atrair mais leitores à série. Portanto, actualmente é a Série da Águia sem águia.

Os livros são, apesar de seguirem uma cronologia, apresentados de uma forma independente e poderão ser lidos em ordem aleatória. No entanto, como têm sido escritos segundo a ordem cronológica, são mais dependentes desta do que por exemplo os livros da Série Sharpe de Cornwell.

Situando-os geograficamente, o primeiro livro é passado na sua primeira parte na Germânia, e na segunda parte tal como os livros 2, 3, 4 e 5 na invasão da Britânia. O 6º passa-se na Costa Ilíria, o 7º na Judeia, o 8º em Palmira, o 9º na ilha de Creta, o 10º no Egipto e o 11º em Roma.

A série evolui à volta de duas personagens principais, os heróis, Quintus Licinius Cato, filho de um liberto, que é incorporado nas legiões no início do primeiro livro e que é o oposto do soldado típico, extremamente jovem, alto e franzino, calmo, sensível, inteligente e muito dado a reflexões o que o torna algo inseguro, mas de uma determinação férrea que o torna num militar exemplar. E Lucius Cornelius Macro, o verdadeiro soldado, veterano com 15 anos de serviço, bruto, impulsivo, grosseiro, acho que nunca vi tanto palavrão junto em livros como nos "discursos" do Macro, disciplinado e disciplinador, baixo e possante.
Não poderiam ser mais diferentes, mas a amizade que os liga é coriácia pois não há Cato sem Macro e Macro sem Cato.

Ponto positivo em relação a Cornwell, que foi certamente um dos autores que inspirou Scarrow, nenhum dos personagens tem a veia de mulherengo de Sharpe, nem as mulheres fabulosas aparecem a cada esquina. Ponto negativo, as promoções nas carreiras, especialmente do Cato, são excessivamente rápidas. A este ritmo lá para o ano 65 o Cato deverá ser Imperador de Roma.

A escrita de Simon Scarrow é bastante descontraída, não tem a relevância histórica das obras de Cornwell, mas nota-se que há estudo por trás. As intrigas do Império Romano e a vida nas campanhas das Legiões Romanas "soam" a bastante verosímeis. As missões e as batalhas são muito bem descritas, extremamente visuais, brutais como se espera desta época histórica.

O 12º livro estará para sair em breve. Provavelmente continuará a seguir a ordem cronológica, mas espero que um dia Scarrow volte atrás e conte mais estórias de Cato e Macro na invasão da Britânia. Apesar de ser o início das suas aventuras penso que os livros passados nas ilhas Britânicas tinham mais ambiente, faziam parte de uma campanha mais longa, que durou 5 livros, ao contrário dos restantes que são mais individuais.

Nota (escala 1 a 10): 7,5 de média para os oito livros até ao Centurião.
TheKhan